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FESTLATINO NA ARGENTINA E NO URUGUAI
01-Mai-2012

FESTLATINO NA ARGENTINA E NO URUGUAI


A Casa dos Escritores do Uruguai, com o apoio de instituições culturais nacionais e das Embaixadas de Países de Línguas Neolatinas acreditadas em Montevidéu- realizará em seu auditório, datas 7 e 8 de Maio próximo, um Seminário Internacional do Movimento Festlatino, sob a coordenação de sua presidente a escritora Rosana Malaneschii.

 

 

Em 2 e 3 de Maio, sob a presidência do reitor da Universidad de Congreso, Dr. Francisco Piñon, será realizado um Seminário Internacional do Movimento Festlatino, em Mendoza, Argentina.

 

 


Visitem www.festlatino.blogspot.com

 


 

 
MARES NAVEGADOS SAÚDA O 25 DE ABRIL
19-Abr-2012
MARES NAVEGADOS SAÚDA O 25 DE ABRIL
 
 
 

 + info: http://associabril.blogspot.pt/ 
 

 
 
 
PRESIDENTE DO MOVIMENTO FESTLATINO
22-Abr-2012
MÁRIO SOARES, PRESIDENTE DO MOVIMENTO FESTLATINO
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na foto da entrega do Diploma de Presidente Honorário do FESTLATINO 
ao dr. Mário Soares, pelo seu fundador Humberto França, pode-se ainda ver  Amandio Silva,
Conselheiro do FESTLATINO e que representou a Associação Mares Navegados
no Colóquio realizado no passado dia 21 de Março, na Universidade de Aveiro. 
 

 
 
FESTLATINO NA ARGENTINA
08-Abr-2012
 FESTLATINO NA ARGENTINA
 
 

 

 
O ATLÂNTICO SUL E A CPLP
03-Abr-2012

O ATLÂNTICO SUL E A CPLP

COLÓQUIO INTERNACIONAL DO FESTLATINO | Universidade de Aveiro | 21 de Março 2012

 

 

 

Amândio Silva *



I -Há cerca de 25 anos, na primeira Reunião de Empresários da CPLP, realizada na FIL,em Lisboa, fui surpreendido com a presença de um Professor de Sociologia da Universidade de Dakar, que não me perdoo ter extraviado o registo de seu nome.

Num intervalo dos trabalhos, sentei-me a seu lado e solicitei que me matasse a curiosidade sobre a motivação de sua participação num encontro de empresários da CPLP.

Ele sorriu e respondeu: “saberá quando eu falar daqui a pouco”.

E, efetivamente, começou assim sua intervenção, para uma plateia também curiosa e interessada: “Perguntarão meus caros amigos, porquê um Professor de Sociologia do Senegal veio ouvir as falas dos empresários da CPLP, onde estão portugueses, brasileiros e cidadãos de países africanos, alguns nossos vizinhos.

Em primeiro lugar, porque aconteceu a coincidência de estar em Lisboa e saber da realização deste evento e achar que não podia perder a oportunidade de vos dizer como é importante para o Senegal a criação da CPLP, por todas as razões históricas, de vos trazer a minha saudação e vos felicitar por estarem aqui juntos discutindo interesses comuns.

Depois, e principalmente, porque é meu mister estudar relações internacionais, sobretudo as estabelecidas entre os povos, as que resultam de afinidades entre as gentes e, por isso, vos afirmar como considero indispensável e da maior importância o fortalecimento da CPLP - e a economia terá por certo um papel destacado – uma organização internacional única, porque concebida na unidade linguística e, por consequência, nas interinfluências culturais, o que permitirá um desenvolvimento sólido, porque amarrado na História comum de séculos.

E concluiu, proféticamente:

A unidade das línguas latinas e de seus povos vai ser fundamental na encruzilhada da História que chegará num confronto com os das línguas anglo-saxónicas”, numa clara referência ao por vezes dramático e sempre desigual não diálogo Norte-Sul, que muito provavelmente não imaginaria ser tão agravado pela violenta e desumana ditadura financeira, que hoje não esmaga apenas o Sul mas já domou boa parte do Norte.

E esmiuçou mais seu pensamento, ao caracterizar a primeira fase, a da CPLP, acompanhada da integração da América Latina, realçando as relações históricas, incluindo os confrontos de guerra, como os de Portugal, Espanha e França na Europa e as lutas de libertação em África, mas que nessa encruzilhada prevaleceriam as afinidades até como auto-defesa face à supremacia anglo-saxónica.

E nessa linha de orientação, se compreende que o Senegal tenha sido o primeiro país africano de língua não portuguesa a ser admitido como Observador permanente no seio da CPLP.

E também se compreende porque o Movimento FESTLATINO ganhou a expressão que permite estarmos hoje na Universidade de Aveiro em mais uma reflexão sobre a impériosa necessidade de valorização da língua portuguesa, inserida no mais vasto conjunto das línguas e culturas latinas.



II – Sempre que penso, falo, escrevo sobre Portugal, Brasil, CPLP – agora com Timor junto aos primeiros sete países que integram a Comunidade – é inevitável recorrer ao Professor Agostinho da Silva que, no dizer acertado do jornalista Fernando Dacosta, “ foi o português mais notável da segunda metade do Séc. XX – como Fernando Pessoa foi da primeira”.

Na sua folhinha de Janeiro de 91, “Autobiogafia ou como as coisa sucedem”, escrevia a certa altura, a propósito da posse de Jânio Quadros como Presidente do Brasil, em Janeiro de 1961 e quando já tinha criado o CEAO-Centro de Estudos Afro-Orientais na Universidade da Bahia, entidade da maior importância nas relações do Brasil, especialmente com a África, ainda hoje em atividade regular: “ Tomei então a liberdade de telegrafar para o Palácio do Planalto, logo que houve a posse, e pedir audiência, que me foi concedida e em que se teve a perfeita e contínua colaboração durante os seis meses que durou a presidência e em que se estabeleceu, pela abertura de Embaixadas em África, pelo Tratado com o Senegal, que ajudei a redigir, e pela vinda , com bolsa, de estudantes africanos que frequentariam os cursos superiores que escolhessem e os completariam na Bahia, no Recife, no Rio ou em São Paulo, com, logo no primeiro ano, cinquenta bolseiros, o início da colaboração que depois se foi firmando e ajudará, um dia, a que um conjunto jurídico dos Países da Língua comum contribua para maior humanização do resto do mundo”.

Nesses seis meses anteriores à renúncia de Jânio, Agostinho delineou as linhas mestras da política externa independente do Brasil, no que respeita a África e à Ásia, - José Aparecido de Oliveira era então da Casa Civil em Brasília e desde aí nunca mais deixou de cultivar Agostinho e seguir seus ensinamentos. Jânio dava sua diretrizes com “bilhetinhos” distribuídos pelos Ministérios. Muitos foram destinados ao Itamaraty para o início de uma nova era nas relações com a África, seguindo as orientações de Agostinho.

O Embaixador Jerónimo Moscardo, em recente notável conferência na Fundação Mário Soares, reafirmou o que já lhe tinha ouvido na Universidade de Brasília e na Fundação Alexandre Gusmão, no Itamaraty : “ Agostinho da Silva foi quem traçou todo o programa da nossa política para África e Ásia. Ministros importantes como Santiago Dantas e Afonso Arinos foram excelentes executantes dessa política, mas não seus autores como nos ensinam em nossos primeiros anos de diplomacia, a autoria dessa linha independente pertence a Agostinho da Silva. Aliás, devemos salientar que, no Governo do Presidente Lula, o Ministro das Relações Exteriores, Embaixador Celso Amorim, discípulo de Aparecido, retomou essa linha e nenhum outro presidente fez tantas viagens a África e por duas vezes esteve em Timor. A CPLP mereceu como nunca a atenção do Brasil.”

E eu acrescento que também foi no Governo Lula que foi criada a UNILAB, em Redenção, no Ceará, Universidade que, em seus estatutos, tem como objetivo atingir os 50 por cento de alunos de outros países da CPLP. Sempre comento que se Agostinho fosse vivo, estaria lá encantando novos alunos como nos “campus” de todas as Universidades do Brasil onde soltou sua voz e deixou sua semente.

Sua convicção de que o Brasil, após a consciência e o reconhecimento de suas raízes Africanas, seria o motor da afirmação do mundo de língua portuguesa, sobretudo numa nova reconstrução civilizacional, foi reconhecida pelo Embaixador José Aparecido de Oliveira quando afirmou: “O Professor Agostinho da Silva foi importantíssimo quando chamou a atenção dos brasileiros para o que representava uma política de desenvolvimento num mundo que tendia para a globalização. Ele previu com todas as suas nuances e consequências. E também fez despertar a nossa consciência, brasileira sobretudo, mas lusófona, com relação a África. Foi ele que, pela primeira vez, naquele tempo, chamou a atenção para as nossas raízes”

Por essas consciência e convicção, Aparecido, sob inspiração agostiniana, foi o grande obreiro da constituição da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Por isso afirmei e agora repito que Agostinho foi o Avô e Aparecido o Pai da CPLP. Até hoje lamento que Aparecido, por razões menores que não vou agora comentar, não tenha sido o primeiro Secretário Executivo da CPLP. Sua construção teria sido bem diferente e seu patamar de hoje mais exigente e ambicioso.



III – Foi com este espírito que em 1993 nasceu a Fundação Luso Brasileira para o Desenvolvimento do Mundo de Língua Portuguesa. Em Lisboa, como Agostinho me havia recomendado “ essa Fundação tem de crescer no Brasil, mas a sede tem de ser aqui, em Lisboa, de onde tudo partiu e onde tudo vai convergir”. Naquela altura não houve qualquer hesitação, até porque seu projeto foi oferecido por Oscar Niemeyer que teria grande alegria em ver uma obra sua em Lisboa. Mais tarde me interroguei se o mestre não se teria enganado.

Acompanhei com entusiasmo as figuras principais da Fundação, Pedro Rebelo de Sousa e o Embaixador Dário de Castro Alves, marco inesquecível de luso-brasileiro, numa esperança partilhada por muitos nomes ilustres de ambos ao lados do Atlântico, como Jorge Amado, José Saramago, Nélida Pinõn, Natália Correia, António Alçada Baptista, David Mourão Ferreira, Maria do Céu Guerra e políticos de estirpe como Mário Soares, Fernando Henrique Cardoso e Jorge Sampaio.

Não resisto a relembrar a mensagem da minha querida e saudosa amiga, a insubstituivel Natália Correia, pela lucidez e previsão, noto, escrita em 1993, vinte anos atrás: “Nesta fase convulsiva da História em que o paradigma internacional de “comunidade” obedece ao padrão de luta pela supremacia do poder económico que ameaça conduzirnos a uma catástrofe planetária, é urgente traduzir internacionalmente o espírito comunitário em estruturas de fraternidade cultural como a que finalmente e em boa hora está concretizada na Fundação Luso Brasileira”

A catástrofe planetária está a caminho, infelizmente as estruturas de fraternidade cultural não conseguiram– como a Fundação Luso-Brasileira não conseguiu– impor-se no cenário demolidor que urge combater, mas não haja dúvida que elas continuam sendo instrumento indispensável face à barbárie que está disseminada por esse mundo, muitas vezes fomentada de forma execrável.

Evidentemente que o fracasso da não construção do edifício sede de Niemeyer, a “belíssima nave digna do Tejo” como a batizou Aparecido, projeto que, consumado, daria a “dimensão que merecem as relações entre as nossas culturas” como falou Jorge Amado, foi a pedra de toque para que a Fundação, apesar de muitas boas iniciativas levadas a cabo com êxito em toda a CPLP, com ênfase natural em Portugal e no Brasil, não tivesse podido corresponder ao objetivo que deve continuar a ser perseguido de uma estreita cooperação e um superior entendimento entre Brasil e Portugal, como indispensável a uma jornada consciente e profícua de parceria entre todos os países da CPLP.



IV – Timor foi a feliz razão do primeiro sentir coletivo da CPLP. Em Portugal, a demanda da libertação de Timor do jugo da Indonésia foi a maior manifestação de unidade nacional após o 25 de Abril. A corrente foi poderosa e emocionante.

O Brasil acordou de forma definitiva para engrossar o apoio internacional quando da atribuição do prémio Nobel da Paz a Ximenes Belo e Ramos Horta. E nos restantes países da CPLP, de uma forma ou de outra, ficou nítido o sentimento de que Timor fazia parte do mesmo mundo, o da língua portuguesa, com todo o direito à independência e soberania. Timor correspondeu a esse caloroso movimento, consagrando na primeira hora o português como sua língua oficial, como expressão de sua afirmação internacional e tal atitude o conduziu a membro pleno da CPLP, “por aclamação”.



V – Não posso deixar de falar do Acordo Ortográfico. Emperrado há quase vinte anos, só agora, de forma plena no Brasil e ainda apesar de algumas ultimas etapas a cumprir em Portugal, pode começar a cumprir seu papel de instrumento de solidariedade lusófona, com um alcance muito maior, esquecido nas quezílias intelectuais, mesmo que legítimas. Não é o primeiro AO, todos geraram resistências porque é impossível a unanimidade.

Invoco dois factos que, pela sua simplicidade e objetividade, demonstram quanto o AO é urgente e como já devia ter sido posto em prática há muito tempo.

O primeiro: No debate público da Assembleia da República, em 2009, que antecedeu a aprovação do AO, aliás por todos os partidos, um professor de Timor apelou para o “sim” deste modo singelo: “Por favor, se entendam, já temos tão poucos monitores para ensinar a escrever o português e os brasileiros ensinam com uma ortografia, os portugueses com outra, é preciso acabar com esta situação deplorável. A alfabetização tem de ser igual para todos, se queremos de facto aumentar o conhecimento e a prática da língua portuguesa pelas crianças de Timor, que são a melhor garantia da sua continuidade.

O segundo: Em 2008, o Brasil ofereceu a Angola dez mil livros infantis, apropriados para a faixa dos 8 a 12 anos. Os responsáveis angolanos do ensino primário, com muito pesar, porque os livros eram de boa qualidade, foram obrigados a ter de os devolver, com o argumento lógico de que os alunos eram alfabetizados com a ortografia portuguesa e aqueles livros estavam naturalmente com a ortografia brasileira. A expressão que legitimou a recusa foi aliás bem brasileira: “lamentamos, mas não queremos confundir a cuca das crianças”.

Milhares de crianças africanas e timorenses merecem que a ortografia seja a mesma. Em breve, espero, a sua alfabetização pode ser ministrada por monitores brasileiros do Maranhão ou do Rio Grande do Sul ou portugueses do Minho ou do Algarve, que as ensinarão diretamente ou formarão os professores locais, com a mesma ortografia. É tão somente uma reforma ortográfica.

Para além de, em outro plano, o das reuniões internacionais, se acabar com a situação ridícula de ser a única língua que tinha dois comunicados finais, um em ortografia por tuguesa, outro em brasileira, aliás de longe a mais usada.

E aqui cabe referir que o Brasil foi de grande generosidade em insistir na indispensabilidade de Portugal ser signatário do AO, que aliás exigiu alterações de maior monta na anterior ortografia, dita brasileira, do que na nossa. Isto porque, com o poderio económico e maior gama de interesses suscitados nos restantes países da CPLP, creio não haver dúvidas de que, sem AO, em 15 ou 20 anos, a opção lógica seria a desses países adotarem a anterior ortografia brasileira. Arriscávamos sériamente a repetir o “orgulhosamente sós”, de má memória.

A propósito, ouvi o escritor angolano José Eduardo Agualusa, no lançamento de um seu livro na Livraria Travessa, no Rio de Janeiro, afirmar alto e bom som: “Se Portugal não assinar o AO, vou fazer campanha em Angola para adotarmos a ortografia brasileira, pois temos muito mais afinidades culturais com o Brasil, alem de que aqui são 190 milhões e lá são só 10.” Hoje os seus livros já são editados na nova ortografia e com o mesmo sucesso em todos os países onde são distribuídos.

O AO não pode ser avaliado sob uma perspetiva nacionalista e muito menos como um atentado à língua, alegado pelos seus mais encarniçados opositores. Ao contrário, sua maior valia está na já demonstrada solidariedade lusófona, não apenas com as crianças, mas também com os escritores que vão ter maior mercado, com os leitores espalhados pelo mundo – a primazia da antiga ortografia brasileira era avassaladora -, afinal com os editores. Olhando o futuro e não o passado, contribuindo afinal para uma maior prática e consequente valorização da língua portuguesa a nível internacional.

Em termos de valorização da língua portuguesa a nível internacional, merece referência o excelente trabalho do atual diretor do IILP - Instituto Internacional da Língua Portuguesa, o prof. Gilvan Muller de Oliveira, que conheci em 2001, como Professor da Universidade Santa Catarina, em Florianópolis, na qual era Diretor do Instituto de Estudos Portugueses, entidade criada por Agostinho em 1958, quando lá foi professor de literatura portuguesa. Gilvan foi o coordenador da organização do espólio de Agostinho da Silva em Santa Catarina, de grande utilidade para o estudo e memória da extraordinária pre- sença e ação do Mestre no Brasil.

Gilvan está guindando o IILP a um nível compatível ao desejado pelos seus idealizadores, um deles o incontornável José Aparecido de Oliveira, que era Ministro da Cultura do Governo de José Sarney, quando da sua instituição em 1989, na Reunião em São Luís do Maranhão, que pela primeira vez juntou na mesma mesa, sob a égide da língua portuguesa, todos os Chefes de Estado dos países onde seus povos a falam, com exceção de Angola, que se fez representar a nível ministerial.

Permitam-me lembrar que Aparecido nessa altura tinha a assessoria do casal Hermano e Maria Helena Alves, nomes persistentes nesta saga da língua portuguesa, que, curiosa e coerentemente, mais tarde, integraram a Direção da atrás citada Fundação Luso-Brasileira.



VI – Voltemos ao Atlântico. Parece que estou ouvindo Natália Correia, na sua voz estridente, de dedo levantado, numa daquelas madrugadas do Botequim – restaurante-bar da Graça onde ia todas as noites – “Amândio, não esqueças, o nosso caminho, a nossa salvação é o Atlântico, mas o Atlântico Sul, SUL!”

Portugal está numa situação periclitante nesta Europa, tão distante da que grandes lideres de estirpe humanista ergueram e, entre eles Mário Soares, que hoje à tarde, neste Colóquio nos brindará com mais uma reflexão sobre a má Europa em que estamos vivendo.

E seja em que circunstâncias possa vir a acontecer, escorraçado ou por corajoso “motupróprio”, Portugal pode ficar fora da Zona Euro e devemos preparar-nos para essa hipótese, mesmo continuando como Estado membro da União Europeia.

Há meses atrás, um jovem jurista, Jorge Gaspar, Professor de Direito Convidado da Universidade Lusófona, assinou um interessante artigo, de título muito curioso “Podem os países mudar de sítio?”, no qual defende de forma vigorosa uma Aliança Estratégica com o Brasi.

Depois de também admitir que tenhamos de sair do euro, propõe: “Ora é aqui que a “concreta caracterização histórica, cultural, social e linguística” pode ajudar a potenciar estratégicamente um pensamento sobre o Plano B. o Plano Brasil. O Brasil é um país emergente? Não, é mais do que isso. O Brasil precisa de consolidar a Norte do seu hemisfério a dimensão política da sua mais que emergente economia? Sim, precisa e quer. O Brasil quer uma maior participação das (suas) empresas brasileiras no mercado europeu e, em particular, nas empresas europeias (a privatizar, por exemplo…)? Sim, quer e precisa. O Brasil fala, escreve e pensa em português? Num certo sentido, depois do Acordo Ortográfico, mais do que nunca. E Portugal? Portugal é um país atlantista e que tem em curso um projeto nas Nações Unidas para o alargamento da sua plataforma continental? Sim, é e tem. Aliás, como o Brasil, Portugal precisa de parcerias no domínio da investigação científica e da exploração económica do Mar ? Sim, precisa. Aliás, áreas essas nas quais o Brasil está e vai muito à frente. Portugal quer mais e melhor lusofonia económica e o Brasil tem já uma importante presença económica em África? Pois, parece que sim. O triângulo Portugal, África, Brasil pode afinal ser um triângulo Portugal,Brasil, África? Claro que pode. Para ser triângulo só precisa de três lados.

Enfim, se já pusémos um Rei no Brasil (ainda por cima, pelo seu próprio pé…), por que não pôr por lá o nosso Escudo através de uma acordo de paridade cambial com o Real que assegurasse a estabilidade da nossa moeda e da nossa economia? Já viram? O escudo no Brasil e o real em Portugal, ainda e sempre Estado-membro da União Europeia?

A partir de certa altura, é também para proteger o irmão mais velho e debilitado que serve o irmão mais novo e vigoroso. Não telefonem, vão e perguntem: “Oi, Presidenta, já ouviu falar do Plano B, Plano Brasil? Vamos falar um pouco sobre isso?” “E para se verificar que estas ideias não germinam apenas em Portugal – infelizmente por muito poucos – lembro que recentemente, o Prof. Darc Costa, Presidente da FEDE RASUR – Federação das Juntas de Comércio e Indústria da América Latina, com sede no Rio de Janeiro, assinou com várias entidades portuguesas entre as quais a ELO- Associação Portuguesa para o Desenvolvimento e Cooperação, dirigida por Murteira Nabo e Francisco Mantero, figuras experientes nas relações luso-brasileiras, um Protocolo que curiosamente visa a constituição de um Triângulo Atlântico, - Darc Costa e Jorge Gaspar não se conhecem e não ouviram falar um do outro - cujo objetivo é de beneficiar o processo de integração da América Latina, com o alargamento de laços comerciais e culturais com os países atlânticos da CPLP. Darc, nas suas intervenções, quer na Biblioteca da Câmara Municipal de Lisboa, onde foi assinado o referido Protocolo, quer na Fundação Mário Soares, defendeu as linhas mestras da caracterização do Atlântico Sul como um “corredor de petróleo falado em português” tendo naturalmente como polos Brasil e Angola e assumi-lo como “um Oceano Ibérico.


VII – Como não lembrar do professor do Senegal? Como não lembrar de Agostinho da Silva? Como não lembrar de Natália Correia? Como não lembrar de Dário de Castro Alves? Uma Aliança Estratégica Brasil Portugal, com estas metas amplas de Desenvolvimento, com a diretriz clara de sermos uma voz ativa de uma plataforma atlântica em vez de um país marginal numa Europa desvirtuada, seria da maior importância para Portugal mas também para o Brasil e, sem qualquer dúvida, para a CPLP e a afirmação maior da Língua portuguesa no mundo.



* Presidente da Associação Mares Navegados

 


 

 
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